
"Os amigos 'fora da proteção' acham bonito, só não querem ouvir falar do assunto", conta a protetora Giselle com bom humor
EXCLUSIVO | ELAS ainda são estudantes ou profissionais bem-sucedidas, casadas ou solteiras. O perfil das protetoras de animais varia, entretanto, todas mostram uma vontade imensa de ajudar animais abandonados ou maltratados. O sonho também é o mesmo: erradicar os 20 milhões de cães que vivem nas ruas e dar um lar para cada cachorro no Brasil.
CONVERSAMOS com três protetoras, que é o nome dado àquelas mulheres que dedicam parte do seu tempo (e até recursos) para ajudar cães brasileiros – mas não possuem abrigos ou canis para alojar esses bichos. Elas se multiplicam no Brasil e, principalmente, pela internet. Aliás, a rede mundial de computadores se tornou a grande aliada dessas mulheres – por ser uma maneira fácil e barata de se divulgar casos de animais que precisam de abrigo ou ajuda financeira. Mas nem sempre a luta dessas mulheres é bem vista por outras pessoas.
É O CASO da protetora Giselle Sarbouck Pastorello, de São Paulo (SP), que desde 2007 tem dedicado boa parte do seu tempo e renda no auxílio à causa animal. E que, por tamanha dedicação, chegou a extrapolar os próprios limites. Estudante e estagiária de Direito, Giselle foi responsável pelo travamento do servidor de internet no seu local de trabalho pela imensa quantidade de mensagens enviadas e recebidas da sua rede de amigos dos animais. “A situação ficou bem feia”, lembra. Lição aprendida, hoje ela restringe o número de pessoas que têm acesso ao seu e-mail e telefone de trabalho. Além disso, criou um perfil no Orkut totalmente dedicado ao assunto. No entanto, Giselle confessa que ainda tem de lutar para encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e seu envolvimento com os bichos. O namorado, por exemplo, admira sua dedicação. Mas desaprova seu desgaste emocional, físico e até financeiro. “Ele já me disse algumas vezes: gostaria que se importasse menos com os animais.”

Como as criadoras do perfil Pet Lovers, muitas protetoras usam a internet para divulgar a causa animal e pedir ajuda
A DIFÍCIL tarefa de sensibilizar
ESSE equilíbrio entre o amor pelos bichos e a vida pessoal parece ser uma luta comum entre as protetoras. Tanto as veteranas, como Giselle, como as jovens protetoras Vládia Catunda e Kariny Oliveira, de Fortaleza (CE), lutam para conciliar essas facetas. As duas estudantes universitárias, por exemplo, criaram no começo deste ano um perfil no Orkut, o Pet Lovers, para arrecadar recursos para animais com alguma necessidade. Elas recebem doações de petshops, empresas e outras voluntárias e vendem os produtos pela internet. Uma alternativa viável já que as duas ainda não possuem uma renda própria e nem mesmo um local para abrigar os bichos. “Meu grau de envolvimento só não se torna 100% porquê, infelizmente, eu não posso sair recolhendo os animais pelas ruas. Mas pretendo ter um abrigo. Ai sim meu envolvimento com eles estará completo”, sonha Vládia.
COMO ajudar de maneira eficiente
A INICIATIVA, no entanto, já foi vítima da desconfiança de terceiros. “Uma mulher nos acusou de usar esse recurso para uso próprio”, lembra Vládia. Desde então as duas publicam na internet a nota fiscal de todos os produtos doados e um registro de como o dinheiro foi usado. Para aqueles que também desconfiam do destino dessas doações ou não dispõem de recursos, Kariny deixa uma dica: “há outras formas de colaborar, como se tornar um voluntário em um local de adoção ou até mesmo ajudar na divulgação. Qualquer tipo de ajuda é bem-vinda”. É assim, de uma em uma, que as protetoras brasileiras não param de se multiplicar pelo Brasil.
VOCÊ também é uma protetora? Deixe um depoimento.











Dedicadas protetoras
Já fui protetora por 12 anos, de “arregaçar as mangas”, de montar bem cedo na praça, aos domingos, feirinhas para doar animais. É estressante mesmo. Acabei me desencantando, não com os animais, mas sim com as atitudes das pessoas…
Minha experiência diz que montar um abrigo não é a solução.
O que é primordial: castração, conscientização e punição para quem abandona.
Aglutinar centenas de animais num abrigo é estressante tanto para eles como para quem cuida. E isso tudo acaba interferindo na vida pessoal. Conheci mulheres cujos maridos as abandonaram por causa dessa dedicação extrema, deixando de lado outros aspectos da vida.
Meu conselho: façam a sua parte, o que está ao seu alcance, o resto, deixem nas mãos de Deus, afinal, foi Ele quem criou o mundo e não nós, meras coadjuvantes.
Bjos e boa sorte na empreitada
Ivana
Lamentável o conselho dessa “ex-protetora”. Se todos pensassem assim, os coitados dos animais sofreriam ainda mais. Ainda bem que existem anjos como a Gisele, que continuam com essa luta em prol dos animais.
O importante mesmo é a CASTRAÇÃO! Conheço mts donos de animais que não castram seus bichinhos pois não querem gastar dinheiro com isso. E os veterinários cobram mt caro. Há a necessidade de ter uma ação em relação a isso. Castração gratuita em várias comunidades que é onde há uma quantidade maior de cães na rua. Em Niterói/RJ não tem mais um programa de castração gratuita que vai até o local!!! Uma pena!
É uma pena que a ex-protetora não tenha aprendido nada com esses seres maravilhosos que são os anjos de patas. Pois se tivesse, jamais daria um depoimento desses.