EXCLUSIVO | FUI criada no interior do Rio Grande do Sul e lembro que todos os meus cães viviam completamente soltos. Toby, nosso primeiro Cocker Spaniel, saia todo dia para tomar café da manhã com meus avós a uma quadra de casa e, por muitas vezes, sumia por dias por causa de alguma cadelinha no cio. Quando adotamos meu Fox Terrier Ciccilo em São Paulo, entretanto, a situação era completamente diferente. Praticamente todos os passeios dele foram e ainda são feitos com ele muito bem preso em uma guia flexível com 5 metros de comprimento. Tudo isso para garantir sua própria segurança e, por muitas vezes, pra infelicidade do meu pet que, é óbvio, adoraria correr solto por ai como um bom cachorro.

“Cachorros não pediram para morar na cidade”, diz Katia Morioka sócia da empresa de passeios Matilha
MAS A vida de um cachorro urbano não precisa ser presa a uma guia. Pelo menos é o que garante a especialista em comportamento canino e sócia da empresa de passeios Matilha, Katia Morioka. Cães que passeiam com Kátia e sua sócia Paula Tiemi Assahi fazem isso completamente soltos e, acredite, em plena cidade de São Paulo. “A intenção do nosso passeio é trazer para o cão da cidade um pouco das origens”, conta. Segundo a especialista em comportamento, na natureza os cães vivem em matilha, precisam caçar para sobreviver, brincam entre si e toda matilha tem uma hierarquia no qual cada cão tem o seu lugar. “O passeio solto é composto por disciplina, atividade, diversão e carinho. E na nossa matilha os cães precisam respeitar o ser humano”, afirma.
VANTAGENS
OS BENEFÍCIOS do passeio solto, explica Kátia, são imensos e um dos principais é a socialização, isso porquê quando estão na rua e na guia, dificilmente conseguem se aproximar de outros cachorros. “Os cães não pediram para morar na cidade, então a nossa obrigação como proprietário é proporcionar o mínimo de bem estar que eles merecem, e essa é a missão da nossa empresa”, garante.
COMO funciona
MAS não pense que basta soltar seu cachorro por ai e deixá-lo ser feliz. Antes do cão entrar para a Matilha, ele passa por uma avaliação onde é observado se tem algum desvio comportamental e se está apto para conviver com outros cães harmoniosamente. “Nos primeiros passeios o cão não ficará solto, pois ainda não tem nenhuma referência e também não conhecemos o comportamento dele”, explica.
PARA receber o privilégio de ser solto, cada cachorro precisa ser educado e orientado das regras que precisa cumprir. Somente após um adestramento básico – como “senta”, “fica” e “vem” – o adestrador consegue ir soltando aos poucos até que ele fique 100% livre. Sendo que os cães passeados pela Matilha são geralmente soltos no Parque do Ibirapuera onde existe uma área bem grande que permite soltar pets, além de praças que sejam seguras e em que isso é permitido.
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