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Archive for 19 de outubro de 2010

O projeto-piloto do governo servirdá de estudo para avaliação da coleira impregnada com deltametrina a 4%

O MINISTÉRIO da Saúde anunciou na semana passada que fará um projeto-piloto de encoleiramento em massa de cães como uma das medidas de controle da leishmaniose visceral a partir de 2011. Segundo um representante do governo, o projeto-piloto será um estudo para avaliação da coleira impregnada com deltametrina a 4% quando utilizada em larga escala, como ferramenta adicional no Programa Federal de Controle da Leishmaniose Visceral.

As coleiras chamadas de Scalibor e fabricadas pela Intervet/Schering-Plough Animal Health, devem ser distribuídas gratuitamente pelo governo para algumas cidades brasileiras consideradas endêmicas (ainda em estudo pelo governo), contempladas no estudo. Para quem ainda não conhece, a Scalibor é uma coleira impregnada de deltametrina a 4%, princípio ativo repelente e inseticida recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma das ferramentas que auxiliam na prevenção da leishmaniose visceral.

Coleiras serão distribuídas gratuitamente pelo governo para algumas cidades brasileiras

Coleiras serão distribuídas gratuitamente pelo governo para algumas cidades brasileiras

A LEISHMANIOSE Visceral é motivo de muitas polêmicas aqui no Brasil. Isso porque até esse anúncio do Ministério da Saúde, a única recomendação do governo federal era o sacrifício de animais infectados. A recomendação de sacrifício dos animais deixa um grupo crescente de donos de cachorros indignados, pois defendem que deveria haver pelo menos o direito de tratar dos seus bichos infectados pelo parasita Leishmania chagasi. O assunto é de difícil solução, já que a doença não tem cura e pode ser transmitida para outros bichos e até para o ser humano pela picada de um mosquito conhecido popularmente como “mosquito palha”.

CONFIRA abaixo uma entrevista exclusiva com Ana Corina, do blog “Mãe de Cachorro Também é Mãe”, defensora do direito dos donos tratarem seu cães contaminados pela leishmaniose.

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"O melhor é simplesmente investir pesado em prevenção e não deixar o animal ser contaminado", afirma a blogueira Ana Corina

EXCLUSIVO | POPULAR na internet e entre amantes de cães espalhados por todo Brasil, a blogueira Ana Corina é conhecida por seus artigos publicados em jornais e revistas de Santa Catarina. Mas seu nome ganhou visibilidade nacional pelo seu blog: “Mãe de Cachorro Também é Mãe”, criado em 2007 e um dos primeiros sobre o tema. Como uma boa mãe de cachorro, Ana Corina costumava postar textos sobre a saúde canina e o tema leishmaniose era só mais um deles. Tudo mudou em agosto deste ano quando a doença bateu à porta de muitos cães de Florianópolis, cidade onde a blogueira vive. “Me vi forçada a estudá-la a fundo, o que no fim ajudou o blog a ter informações mais completas sobre a doença”, explica.

DESDE então, Ana Corina tem participado de eventos ligados ao tema e pesquisado possíveis alternativas para cães já infectados ou em perigo. “Tratar cães com leishmaniose visceral (LV) é possível, justo e viável. Mas demanda comprometimento e responsabilidade social”, resume a blogueira. Confira abaixo uma entrevista exclusiva com Ana Corina, ou simplesmente, uma mãe de cachorro.

CANINABLOG: O governo federal não recomenda o tratamento de animais infectados pela leishmaniose visceral e a única solução indicada pelo Ministério da Saúde é a eutanásia. A lei daqui é comum lá fora também?

Ana Corina: Não, em absoluto! O Brasil é o único país do mundo que mata os cães ao invés de combater fortemente os verdadeiros culpados: a ignorância sobre a leishmaniose visceral e o inseto transmissor. Tanto que no exterior há até ração específica e remédios para cães com leishmaniose visceral.

CANINABLOG: Na sua opinião, qual é a melhor iniciativa quando o assunto é a leishmaniose?

Ana Corina: Vou usar as sábias palavras de Fowler Braga, um amigo que está há mais tempo nessa luta contra a LV: “não há nada simples ou fácil quando o assunto é leishmaniose visceral”. O melhor é simplesmente investir pesado em prevenção e não deixar o animal ser contaminado. A tendência mundial é tratar os cães ao invés de matá-los, principalmente porque os exames mais usados apresentam um alto índice de falsos positivos e sabemos que os testes de sorologia podem dar positivo caso o cão tenha um leque bem grande de doenças, como a do carrapato (erlichiose), por exemplo. Apenas o exame parasitológico e o exame clínico por parte de um veterinário experiente na doença podem decretar com absoluta certeza que o cão está contaminado. Além disso, estudos demonstram que em locais onde a matança de cães acontece, a LV apenas tem aumentado a passos largos.

CANINA BLOG: Não há cura para cães infectados e o tratamento é feito pela vida inteira. Como se pode garantir que os donos desses cães estão cuidando bem dos seus bichos?

Blog de Ana Corina é popular entre amantes de cães de todo Brasil

Ana Corina: Não há cura clínica, mas há o controle da doença (como no caso da AIDS, por exemplo). Mas a melhora no tratamento dos cães é rápida e pode gerar a falsa impressão de cura, o que não existe. Uma saída seria microchipar os animais em tratamento e fazer um acompanhamento rígido do tratamento, incluindo na equação o médico veterinário responsável. Isso não acontece porque existe gente relapsa e aqueles que são comprometidos perdem o direito legal de tratar seus animais. Tratar cães com leishmaniose visceral é possível, justo e viável. Mas demanda comprometimento e responsabilidade, inclusive social.

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